Notícias · Análise

Bradesco sobe o financiamento imobiliário a 15%: a venda de móveis para casa nova vai sentir?

Bradesco elevou a taxa mínima do financiamento imobiliário a 15% ao ano e a Selic mantida não muda o quadro. O que observar na venda de móveis para imóvel novo.

Guarda-roupa branco ao lado de cama em quarto moderno
Guarda-roupa branco ao lado de cama em quarto moderno. Imagem ilustrativa.Foto: Max Vakhtbovych/Pexels

Na prática · resposta direta

  • O Bradesco elevou a taxa mínima do financiamento imobiliário de cerca de 11,7% para 15% ao ano, segundo Exame e InfoMoney (05/11/2026).
  • A Exame informa que Itaú e Santander também subiram e que os três passaram do teto de 12% do SFH; o InfoMoney traz valores diferentes para Itaú e Santander, que por isso não são reproduzidos aqui.
  • A manutenção da Selic em 13,75% não deve baratear o financiamento no curto prazo, segundo o InfoMoney.
  • Não há dado público sobre efeito nas vendas de móveis; é um ponto a observar na procura por mobiliário de imóvel novo e planejados.
Nesta matéria
  1. O que os bancos fizeram
  2. A Selic não resolve no curto prazo
  3. E daí para a loja e a fábrica?
  4. O que fazer agora

O financiamento da casa própria ficou mais caro numa semana em que a Selic nem se mexeu. Segundo a Exame e o InfoMoney (5 de novembro de 2026), o Bradesco elevou a taxa mínima do financiamento imobiliário para 15% ao ano (mais TR), uma alta de 3,3 pontos percentuais de uma vez. Para a loja de móveis e para a fábrica de planejados, o tema importa porque a mudança de casa costuma puxar a compra de mobiliário.

O que os bancos fizeram

De acordo com a Exame, o Bradesco subiu a taxa na segunda-feira, 26 de outubro, um dia após o segundo turno das eleições, e Itaú (29/10) e Santander (30/10) também reajustaram suas tabelas. Com isso, os três passaram a cobrar acima de 12% ao ano, o teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Quando a taxa passa desse teto, a operação migra para o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), com taxas livres, e o comprador perde o direito de usar o FGTS na compra (Exame).

Os valores de Itaú e Santander diferem entre as duas reportagens, por isso esta matéria só reproduz o número confirmado pelas duas fontes: o do Bradesco.

Mais dados da Exame:

  • Itaú, Bradesco e Santander responderam juntos por 49,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos com recursos da poupança de janeiro a agosto, segundo a Abecip. A Caixa, com 48,6%, não anunciou mudanças.
  • Os reajustes valem só para novas operações. Quem já tem contrato mantém a taxa, mas o comprador de imóvel na planta, que contrata o financiamento na entrega das chaves, pode ser afetado.

A Selic não resolve no curto prazo

O InfoMoney escreve que a decisão do Copom praticamente não altera o cenário de quem quer financiar um imóvel agora. Os aumentos estariam mais ligados à alta dos juros futuros depois da eleição do que à taxa básica. A Fitch afirma que um corte da Selic não traria mudanças imediatas nem automáticas nas taxas já anunciadas, e um analista da MySide avalia que, para o financiamento, a mensagem do comunicado do Copom pode pesar mais do que 0,25 ponto na Selic.

Veja o contexto da decisão em Copom mantém Selic em 13,75%.

E daí para a loja e a fábrica?

Nenhuma das fontes mede o efeito sobre a venda de móveis, então a leitura abaixo é um ponto de atenção, não uma conclusão:

  1. Imóvel novo e planejados. Financiamento mais caro tende a pesar na decisão de mudar de casa, que costuma puxar a compra de móveis e de móveis planejados. Vale observar se a procura por mobiliário de imóvel novo muda nas próximas semanas.
  2. Parcerias com construtoras e corretores. Quem atende esse público pode checar com os parceiros se as entregas de chaves previstas para dezembro seguem no prazo.
  3. Condição própria da loja. Se o cliente de imóvel novo chegar com orçamento mais apertado, a política de parcelamento e de entrada da loja pesa mais. Reveja com o Pix ou parcelado na Black Friday.

O que fazer agora

Quem já fechou o imóvel segue precisando mobiliar, e a loja que chega primeiro a esse cliente leva vantagem. Onde está a chance:

  1. Procure construtoras, corretores e arquitetos parceiros e pergunte quais entregas de chaves estão previstas para as próximas semanas, para oferecer visita ao showroom e projeto de ambientação.
  2. Monte um pacote "casa nova" com os itens de primeira necessidade (sofá, colchão, cama box, guarda-roupa), com entrada e parcelamento próprios da loja. Veja sofá e colchão e cama box.
  3. Leve o planejado como diferencial: para quem está em imóvel novo, o projeto sob medida é o argumento. Para a base técnica, veja o que é móvel planejado.
  4. Registre a origem dos orçamentos de imóvel novo nas próximas semanas. Como não há dado público, o número da própria loja é o melhor termômetro da procura.
  5. Tenha uma condição de entrada flexível para o cliente que chega com o orçamento apertado depois do financiamento, sem abrir mão da margem mínima.

Perguntas frequentes

Quanto o Bradesco passou a cobrar no financiamento imobiliário?

A taxa mínima subiu para 15% ao ano (mais TR), alta de 3,3 pontos percentuais, segundo Exame e InfoMoney. O reajuste vale para novas operações.

A Selic mantida em 13,75% baixa o financiamento da casa própria?

Não no curto prazo, segundo o InfoMoney. A Fitch, citada na matéria, afirma que um eventual corte da Selic não traria mudanças imediatas nem automáticas nas taxas já anunciadas pelos bancos.

Isso afeta a venda de móveis?

Ainda não há dado sobre isso. A mudança de casa costuma puxar a compra de móveis e planejados, então financiamento mais caro é um ponto a observar na procura por mobiliário de imóvel novo.

Fontes

  1. Exame — Selic estaciona em 13,75%, mas bancos já cobram até 15% na casa própria (05/11/2026)
  2. InfoMoney — Selic fica em 13,75%, mas não deve baratear o financiamento imobiliário (05/11/2026)

Viu um erro ou tem uma informação para a redação? Consulte nossa política de correções.